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Memórias em Cusco:
uma aventura em família

Sejam bem-vindos a uma nova edição do Explore o Peru, e desta vez vamos explorar Cusco e o Vale Sagrado em uma viagem em família.

Poucas experiências têm o poder de transformar, inspirar e fortalecer laços como passar tempo com nossos entes queridos em uma aventura. Com certeza é a oportunidade perfeita para aproveitar ao máximo a sabedoria de uma geração que nos deixou um legado tão importante, continuar aprendendo com as futuras e valorizar nossas próprias vivências.

Os convido a ler a crônica de minha própria viagem em família e descobrir os encantos da antiga capital do império incaico, um lugar que não só nos conectará com uma rica herança milenar, mas também ajudará a nos reencontrar com a nossa.

Tenho plena convicção de que viajar nos dá a oportunidade de tecer memórias para sempre. Para nós que representamos três gerações de mulheres, esta viagem é um sonho que se tornou realidade. Minha irmã, minhas sobrinhas, minhas filhas e eu estamos super empolgadas de poder acompanhar minha mãe nesta jornada.

Desde o momento em que nosso avião pousou em Cusco, soubemos que estávamos no lugar certo. Iniciamos esta emocionante aventura em direção ao Vale Sagrado dos Incas, onde nos aguardam charmosos povoados e experiências únicas por descobrir. Uma dica para quem viaja em família: é melhor começar aqui porque a altitude é menor (600 metros menos que a cidade de Cusco), e é possível se aclimatar aos poucos.

No caminho, paramos no povoado de Pisac. Tivemos a sorte de chegar a tempo para a missa em quíchua — a língua ancestral da região —, e embora nossas crenças religiosas possam ser diferentes, participar desta cerimônia foi uma grande oportunidade para ter uma experiência completa e agradecer pelo tempo em família. Em seguida, visitamos a padaria tradicional, um lugar clássico de Pisac, e experimentamos os pastéis assados de queijo andino mais gostosos de Cusco. Depois andamos pela praça principal perto do mercado artesanal, rico em têxteis, prataria, música e pintura.

Terminamos este primeiro dia muito emocionadas. Depois de vários meses planejando esta viagem, finalmente estamos aqui, e o melhor ainda está por vir.

Hoje começamos explorando o povoado de Urubamba, que nos cativa desde o começo da visita com sua praça central e, especialmente, com seu mercado local, cuja autenticidade é realmente especial. Este não é um destino turístico convencional, o que nos dá a oportunidade de mergulhar completamente na riqueza natural da região.

mapa caral

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Palmira
MARIANA WATSON

Diretora Comercial
mariana.watson@colturperu.com

A partir daqui iremos para Lamay, um povoado encantador fora das rotas tradicionais. O pároco local nos acompanhará durante nossa visita à igreja de Santiago Apóstolo, construída no século XVII. Visitaremos o coro, a torre e o campanário, onde os sinos ainda tocam de formas diferentes dependendo da celebração. Este lugar trouxe memórias da infância à minha mãe, quem com carinho compartilhou algumas histórias emocionantes.

Chegou a hora mais esperada pelas meninas: a visita a uma fazenda de criação de porquinhos-da-índia. Vimos centenas deles e, embora sejam considerados uma iguaria em todos os povoados andinos, desta vez é hora de olhar para eles, pegá-los no colo e alimentá-los. Depois visitamos uma chichería tradicional onde aprenderemos junto com a Martha, nossa anfitriã, o processo de elaboração da chicha de jora, uma bebida ancestral feita à base de milho.

caral
Na parte da tarde, chegamos ao Museu Inkariy, da talentosa família de escultores Mérida. O museu se destaca por suas representações em tamanho real das sociedades mais importantes do antigo Peru. Conto para as meninas que esta família foi escolhida para construir uma parte do cenário do filme Transformers: o despertar das feras, que foi rodado em Cusco e estreou este ano. Elas ficaram encantadas com a história, o que trouxe um toque de magia à nossa exploração.

Para finalizar nossa jornada, fomos até o Ensifera Camp, o santuário de beija-flores. Dependendo da estação, é possível ver até 14 diferentes espécies aqui, incluindo o beija-flor-gigante dos Andes. Minha mãe e minha irmã ficaram surpresas quando souberam que o Peru é um destino de observação de aves muito importante, um motivo adicional para ficar muito orgulhosas de nosso país maravilhoso.

Após uma noite de descanso revigorante, a manhã nos dá as boas-vindas com um sol radiante e um céu azul. Estamos prontas para explorar os tesouros imperdíveis do Vale Sagrado.

Começamos com as Salinas de Maras. Sua exploração é uma tradição ancestral que remonta à época do Tahuantinsuyo e continua sendo uma prática vigente atualmente. Um pouco mais adiante, descobrimos os enigmáticos terraços de Moray, que se acredita terem sido um grande laboratório agrícola dos incas. É inspirador ver como os antigos habitantes desenvolveram soluções engenhosas em perfeita harmonia com seu entorno para sobreviver.

Depois, vamos em direção a Ollantaytambo e, no caminho, fazemos uma parada rápida em Pachar. Este lugar, que vale a pena ser visitado, tornou-se um povoado enfeitado com murais coloridos que contam as histórias e tradições da região. Graças ao projeto Arco-íris — iniciativa conjunta entre Qroma e Turismo Cuida, associação da qual COLTUR é membro fundador — foi possível recuperar informações inestimáveis inspiradas por estes murais.

A fortaleza de Ollantaytambo foi fundamental em aspectos religiosos, agrícolas e militares devido a sua localização estratégica. Entre seus impressionantes terraços e paredes de pedra, travou-se uma intensa batalha durante a época da conquista. Enquanto minha mãe e minha irmã exploram os muros da parte inferior, as meninas e eu subimos ao topo para aproveitar a maravilhosa vista do vale.

Voltamos ao hotel emocionadas, pois amanhã visitaremos Machu Picchu.

Nossa experiência começa com uma maravilhosa viagem de trem. Avançamos entre montanhas cobertas de neve, e o frio vai desaparecendo enquanto nos adentramos em uma floresta nublada exuberante cheia de samambaias, bromélias e orquídeas. Minha mãe adora as orquídeas e identifica variedades, cores e tamanhos durante o trajeto.

No povoado de Machu Picchu pegamos o ônibus que nos levará até a cidadela. Finalmente chegamos. Três gerações juntas diante desta maravilha do mundo, erguida sobre uma paisagem incrivelmente diversa. Sempre é emocionante andar pelos templos, palácios, terraços e ruelas, todas são testemunhas silenciosas da grande sabedoria da civilização incaica. Realmente é muito emocionante estar aqui.

Depois de várias horas de exploração, voltamos ao povoado para almoçar e iniciar nosso caminho de volta ao Vale Sagrado.

De manhã cedo, partimos em direção à cidade de Cusco. No caminho, paramos no povoado encantador de Chinchero, um lugar que nos impressiona muito pela evidente fusão da zona arqueológica com a igreja colonial construída em cima dela. Além disso, aqui encontramos o melhor milho com queijo, servido diretamente das panelas das mulheres locais vestidas com trajes tradicionais. Esta delícia é uma combinação que nos faz lembrar de como a história e a diversidade cultural se entrelaçam: nosso milho branco se une ao queijo, um produto que chegou com os espanhóis depois da conquista.

Quando chegamos a Cusco, andamos em direção à área de San Blas, o bairro artístico e boêmio, para explorar suas ruas e lojas.

De noite, vamos para a parte alta da cidade, onde fica o Planetarium Cusco. Somos recebidas por Ana Maria, uma mestra especialista em mitos e lendas do céu cusquenho. Junto com ela, mergulhamos em uma fascinante e divertida apresentação projetada em uma grande cúpula para logo observar os astros através de três impressionantes telescópios.

Minha mãe e minha irmã se envolvem com entusiasmo, respondendo perguntas e compartilhando suas próprias histórias, mas são as meninas quem demonstram um conhecimento surpreendente. Foi um momento maravilhoso de conexão intergeracional, onde cada uma de nós compartilhou sua sabedoria e curiosidade sob o manto do céu estrelado.

vichama coltur
Hoje, cedo, fomos a Sacsayhuamán, um dos grandes complexos localizado nos arredores de Cusco. Exploramos todos os cantos e depois nos aventuramos a andar pela floresta de queuñas, arvorezinhas nativas que, na época colonial e republicana, foram taladas e substituídas por espécies estrangeiras como o eucalipto, o que trouxe uma alteração no ecossistema local. Ver o esforço de reflorestamento dessa espécie em um lugar tão representativo como este nos traz esperança.

Chega a hora da atividade surpresa do dia: o viveiro de camelídeos sul-americanos, que alberga centenas de lhamas, alpacas, guanacos e vicunhas. Tivemos uma experiência maravilhosa alimentando-os e procurando o “lhama selfie” perfeito. Com certeza é o lugar onde mais rimos durante a viagem.

Após um almoço revitalizante, partimos para explorar o centro histórico de Cusco. Caminhamos pela Praça de Armas, visitamos a Catedral e o maravilhoso Koricancha. Dizem que o Koricancha tinha suas paredes cobertas de ouro e que brilhavam sob o sol, reforçando a conexão espiritual com o astro-rei.

Nosso último dia chegou em um piscar de olhos e todas temos diferentes voos de retorno. Tomamos o último café da manhã juntas, relembrando os momentos inesquecíveis desta viagem e começando a planejar a próxima!

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